segunda-feira, 10 de março de 2014

Bem-Viver: Germinando alternativas ao desenvolvimento

O Bem-Viver não tem uma postura anti-tecnológica.

Essa plataforma comum deveria ser elaborada a partir da prática de uma interculturalidade que olha para o futuro, para construir alternativas ao desenvolvimento.
Outra ética para reconhecer e atribuir valores: Quando se diz que a Natureza passa a ser sujeito de valor, o que acontece é uma mudança radical frente à ética ocidental vigente onde tudo o que nos rodeia é objeto de valor e unicamente as pessoas como seres conscientes podem articular valorações.
Descolonização de saberes: Trata-se de reconhecer, respeitar e inclusive aproveitar a diversidade de saberes. Rompe-se (ou se tenta romper) com as relações de poder dominantes, abandonando-se a pretensão de um saber privilegiado que deve dominar e conduzir o encontro entre culturas e saberes. Isto é mais do que um relativismo epistemológico, já que se apóia numa descolonização do conhecimento. Os demais saberes se tornam legítimos e conseqüentemente deve-se reconfigurar a dinâmica política para lidar com eles.
Abandona-se a racionalidade manipuladora e instrumentalizadora. O Bem-Viver é um espaço onde se abandona a pretensão moderna de dominar e manipular tudo o que nos rodeia, sejam pessoas ou a Natureza, para convertê-los em meios que servem a nossos fins.
Concepções alternativas da Natureza. Este não é um tema menor nem uma imagem folclórica já que o desenvolvimento convencional tem uma determinada concepção da Natureza, que por sua vez permite certos tipos de desenvolvimento.
Comunidades ampliadas. As comunidades políticas (no sentido de abrigar atores com expressividade política) não estão restritas às pessoas. Há nelas lugar para o não-humano (podem ser outros seres ou elementos do ambiente ou mesmo espíritos).
Um lugar para as vivências e os afetos. O Bem-Viver poderá ter sua base material, mas não está restrito a ela, já que em suas expressões há papéis protagônicos para os afetos, as vivências de alegria ou tristeza, rebeldia ou compaixão. O materialismo não é suficiente para o Bem-Viver.
www.iserassessoria.org.br/novo/arqsupload/179.doc

Gudynas,  Eduardo  Bem-Viver: Germinando alternativas ao desenvolvimento

Decolonialidade como caminho para a cooperação

Há três caminhos possíveis: tentamos nos assimilar, e boa sorte na assimilação; nos adaptamos o melhor que podemos, pois temos que viver; ou, a terceira, nos adaptamos e começamos a construir projetos que apontam para outras formas de vida. Neste momento a consciência e o ser de fronteira transformam-se no pensamento fronteiriço em ação, colocamos a experiência e o pensamento em ação.

Este é o problema fundamental requerido pela decolonialidade dos sujeitos para que estes e estas possam imaginar, legitimar e construir organizações comunais (hoje chamados de estados nacionais) sobre a base da cooperação, e não da competição e do extermínio.


Mignolo, Walter Decolonialidade como caminho para a cooperação